segunda-feira, 6 de junho de 2011

quem eh rei...

i'm left, you're right, she's gone para os que dancaram dancarem.

o eu

Nunca quis ser Deus, famosa e nem artista.
Acho estranho algumas pretensões
Minha maior é a lua.
Não sei lutar, mas sei discutir.
Não sei jogar, mas sei competir.
E também não sei cantar, mas canto muito.
Amo gente e o poder da comunicação.
Amo o que faço e faço o que posso.
Amo chocolate, festa, livro e música.
Vivo e morro pela minha família e amigos.
Choro fácil e não acredito em distancia física,
E ainda não sei se acredito em ETs.
Odeio falsidade, egoísmo e o Lula.
Odeio telefone, mesmo o achando essencial.
Não gosto de gente que se acha,
Prefiro as que arduamente se encontram.
Tenho amores que um dia odiei,
Mas nenhum ódio que um dia amei.
Sonho muito e sonho sempre.
Acho fácil transformar qualquer lugar no melhor do mundo.
Me entrego sem medo quando confio.
E ainda acredito nas pessoas, mas não mais em algumas.
Sou teimosa e orgulhosa ao extremo,
E aprendi que, sendo assim, aprender dói mais.
Sou romântica as vezes,
Mas quase sempre este me falta.
Por isso nunca quis um príncipe encantado.
Gostaria de ter sido a ultima das esposas de Vinicius de Moraes.
Sou patriota sofredora e corinthiana feliz.
Aprendi a cozinhar e limpar casa.
E que nada tem tanto valor quanto parece ter,
E que quando uma pessoa se descobre por inteiro
A missão acaba.
E que eu quero viver mais uns cem anos,
Sem saber muito de mim, só cumprindo!!!

domingo, 1 de março de 2009


Ela sambava!
E o sambista cantava só pra ela, sempre!
E por isso ela sambava até dormindo
Com sorriso no rosto e sem saber por quê.
Como se tempestade fosse cachoeira e noite fosse dia na praia.
E o sambista era só pra ela.

Mas um dia o salto dela quebrou.
Talvez porque não tenha aguentado o peso,
Talvez porque teria que quebrar mesmo.
E ai o sorriso caiu,
A ponta do pé baixou,
E ela pouco sambou.

Vendo ela de salto quebrado
O sambista a deixou de lado
E passou a cantar pra todo o público.
Ele perdeu o encanto por ela
E ela deixou de ser sua melhor e mais importante platéia.

Ela, vendo o sambista cantar por outros lados
Perdeu também um pouco do encanto de café da manhã na cama
E passou a se sentir tão só
Que procurava outros modos de sambar.
Sambava com amigos,
Sambava com as bebidas,
Sambava com o que desse pra sambar.
Mas nada conseguia substituir aqueles tempos que eram só dela e do sambista

Falta dela só pra ele o sambista também sente, e ela sabe disso.
Deve ser por isso que, tendo samba ou não,
Ela desistiu da vida de bailarina pra virar sapateira.
Sapateira daquelas, que conserta salto alto.
E assim o sambista continua ao seu lado, de sapateiro também, mas só nas horas vagas.



quinta-feira, 15 de maio de 2008


Hoje, enquanto eu esperava o metrô e pensava que, se eu soubesse que ele ainda ia demorar mais alguns minutos para chegar eu poderia ter feito uma refeição saudável ao invés de devorar uma coxinha em segundos, notei que estava sendo observada. Um casal de velhinhos, daqueles que parecem viver exclusivamente para cumprir seu papel de vô e vó, contando histórias e dando doces pros netinhos se aproximou. O senhor me perguntou as horas, comentou sobre como o tempo anda estranho e disse: “seus olhos são muito bonitos!”. Se não fosse o olhar terno e as mãos entrelaçadas dos velhinhos que já devem ter seus 60 anos de casado, confesso que, como boa interiorana que sou, teria pensado: “velho safado!”. Mas não! Corei e pensei: “como pode eles ainda serem assim?”. Não digo isso pelas mãos entrelaçadas, mas pelo olhar terno de quem viveu tanta coisa junto e que talvez nem tenha sido perfeito, mas que foi tão bom que a admiração não acabou. Talvez ele a tenha traído, ou ela o traiu, mesmo que só em pensamento, com aquela secretaria, ou aquele vizinho. Talvez ele tenha deixado de dizer todos os dias que a amava e tenha parado de mandar flores. Ela pode não ter preparado mais aquele prato, o preferido dele, em todos os aniversários de casamento e pode ter fingido algumas dores de cabeça. Mas o olhar não! O olhar era sincero. O olhar dele tinha todos os pedacinhos dela e o dela os dele. Todos os pensamentos, todos os medos, todos os desejos... Eles eram um! E isso era claro pra mim!
Depois de ter pensado tudo isso e ter tentado analisar, em poucos segundos, a vida de um casal que eu queria pra mim, reparei que meu rosto corado já havia virado motivo de riso dos velhinhos. Nessa hora, tudo o que eu mais queria era dizer: “lindo são os olhos SEUS!”, mas minha vergonha interiorana não me permitiu e eu só pude dizer: “obrigada! São do meu pai!”.
Eu nunca quis ter um blog, apesar de ser uma leitora assídua de vários.
Nunca gostei da idéia de alguém poder ler meus pensamentos.
E, na verdade, continuo não gostando!
Mas resolvi me forçar a escrever mais.
Daí me veio a idéia do blog.
Eu mesma contestei: “escreve no papel, ué!”.
Mas ai me vieram alguns pensamentos sobre o papel.

- Pensamento 1: Papel?! Mais papel?!
Isso só aumentaria minha fama de bagunceira e de ter aquela velha mania de velho que sempre diz: “Oh! Que bonitinho! Vou guardar!”.

- Pensamento 2: Consciência Ecológica!
Sou eu uma cria de bióloga com agrônomo e passei minha vida toda escutando: “sai desse banho!”; “num precisa dessa sacolinha de plástico!”; “num joga isso na rua!”; “num usa tanto shampoo!”; “pra quê tanto detergente?” e, finalmente, “minha filha, num gasta tanto papel! Aqui ainda tem espaço! Sabia que pra fazer papel tem que derrubar árvore?”.
Taí! Sensibilizei-me! Peguei gosto por esse negócio de preservar a natureza e esse papo todo!

- Pensamento 3: Papel...!?
Talvez o papel nem tenha nada a ver com isso! Talvez eu tenha me modernizado, ou queria ser lida por uns poucos e bons. Ou tenha ficado com vontade de ter um blog!

É, foi isso, fiquei com vontade de ter um blog!