
Hoje, enquanto eu esperava o metrô e pensava que, se eu soubesse que ele ainda ia demorar mais alguns minutos para chegar eu poderia ter feito uma refeição saudável ao invés de devorar uma coxinha em segundos, notei que estava sendo observada. Um casal de velhinhos, daqueles que parecem viver exclusivamente para cumprir seu papel de vô e vó, contando histórias e dando doces pros netinhos se aproximou. O senhor me perguntou as horas, comentou sobre como o tempo anda estranho e disse: “seus olhos são muito bonitos!”. Se não fosse o olhar terno e as mãos entrelaçadas dos velhinhos que já devem ter seus 60 anos de casado, confesso que, como boa interiorana que sou, teria pensado: “velho safado!”. Mas não! Corei e pensei: “como pode eles ainda serem assim?”. Não digo isso pelas mãos entrelaçadas, mas pelo olhar terno de quem viveu tanta coisa junto e que talvez nem tenha sido perfeito, mas que foi tão bom que a admiração não acabou. Talvez ele a tenha traído, ou ela o traiu, mesmo que só em pensamento, com aquela secretaria, ou aquele vizinho. Talvez ele tenha deixado de dizer todos os dias que a amava e tenha parado de mandar flores. Ela pode não ter preparado mais aquele prato, o preferido dele, em todos os aniversários de casamento e pode ter fingido algumas dores de cabeça. Mas o olhar não! O olhar era sincero. O olhar dele tinha todos os pedacinhos dela e o dela os dele. Todos os pensamentos, todos os medos, todos os desejos... Eles eram um! E isso era claro pra mim!
Depois de ter pensado tudo isso e ter tentado analisar, em poucos segundos, a vida de um casal que eu queria pra mim, reparei que meu rosto corado já havia virado motivo de riso dos velhinhos. Nessa hora, tudo o que eu mais queria era dizer: “lindo são os olhos SEUS!”, mas minha vergonha interiorana não me permitiu e eu só pude dizer: “obrigada! São do meu pai!”.
Depois de ter pensado tudo isso e ter tentado analisar, em poucos segundos, a vida de um casal que eu queria pra mim, reparei que meu rosto corado já havia virado motivo de riso dos velhinhos. Nessa hora, tudo o que eu mais queria era dizer: “lindo são os olhos SEUS!”, mas minha vergonha interiorana não me permitiu e eu só pude dizer: “obrigada! São do meu pai!”.
